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6 em cada 10 adolescentes afirmam que copiar com a IA é uma prática comum nas suas escolas

6 em cada 10 adolescentes dizem que fazer trapaça com IA é comum em suas escolas

A utilização de chatbots entre os adolescentes nos Estados Unidos cresceu consideravelmente, sobretudo para os trabalhos escolares e, em menor medida, como apoio emocional. De acordo com um inquérito nacional do Pew Research Center, este fenómeno preocupa pais e escolas, tanto por questões de ética académica como pelo impacto no bem-estar emocional dos jovens.

A inquietação de pais e professores decorre do facto de cada vez mais adolescentes recorrerem a chatbots para obter ajuda na escola, o que dificulta a deteção de fraudes académicas e levanta dúvidas sobre a influência dos conselhos automatizados.

Muitos adultos temem que a ampla disponibilidade destas ferramentas aumente o fenómeno da cópia e comprometa o desenvolvimento emocional e os hábitos de estudo dos jovens, num panorama tecnológico em rápida evolução.

Como os adolescentes utilizam os chatbots

Mais de metade dos adolescentes entre os 13 e os 17 anos nos Estados Unidos já utilizou chatbots, como o ChatGPT ou o Copilot, para pedir ajuda nos trabalhos escolares. De acordo com o Pew Research Center, 57% utilizou-os para procurar informações, 54% para atividades académicas e 47% para entretenimento.

Cerca de 42% afirmam usá-los para resumir conteúdos e 19% para consultar notícias. Um em cada oito (12%) reconhece ter recebido apoio emocional através destes sistemas e 16% dizem conversar com os chatbots de forma informal.

Os chatbots e o aumento das fraudes na escola

Para 59% dos adolescentes, o uso de chatbots para fazer batota é uma prática comum na sua escola, incluindo 34% que consideram que isso acontece com muita frequência. Apenas 14% consideram este comportamento raro ou inexistente, enquanto 15% não têm a certeza.

Entre aqueles que já utilizam os chatbots para os trabalhos escolares, a perceção de batota é ainda maior: atinge os 76% neste grupo. As funções mais procuradas para a escola incluem a pesquisa de informações (48%), a resolução de problemas de matemática (43%) e a correção de textos (35%).

Apesar do debate, 26% dos adolescentes consideram os chatbots extremamente ou muito úteis para estudar, enquanto apenas 3% consideram que não ajudam. Um dos jovens entrevistados no relatório salientou: «A inteligência artificial poderá multiplicar a eficiência e a precisão; todos terão de aprender a usá-la ou ficarão para trás».

Apoio emocional e preocupações dos pais

Cerca de 12% dos adolescentes já procuraram apoio emocional nos chatbots e 16% comunicam informalmente com estas ferramentas. No entanto, apenas 18% dos pais aceitam que os seus filhos utilizem este tipo de tecnologia para questões emocionais. Em contrapartida, 79% aprovam a utilização para a pesquisa de informações e 58% para os trabalhos escolares, de acordo com o Pew Research Center.

Existe também uma diferença significativa na perceção: 64% dos adolescentes afirmam utilizar chatbots, mas apenas 51% dos adultos reconhecem isso. Quase um terço dos pais não sabe se os filhos utilizam estas ferramentas e apenas 54% falaram com eles sobre o assunto.

O diálogo e a supervisão familiar variam de família para família e de acordo com o nível de rendimento. Alguns adolescentes veem problemas na dependência excessiva da inteligência artificial, enquanto outros alertam que essa dependência pode trazer consequências negativas para o ambiente escolar e para a aprendizagem.

Fatores demográficos e fosso geracional

Os resultados mostram diferenças claras em termos de raça, rendimento e género. Entre os adolescentes negros, 61% utilizam os chatbots para os trabalhos escolares; entre os hispânicos, 60%; e entre os brancos, 50%. 21% dos adolescentes negros recebem apoio emocional dos chatbots, contra 13% dos hispânicos e 8% dos brancos.

No que diz respeito ao rendimento familiar, 20% dos jovens que vivem em famílias com menos de 30 000 dólares por ano realizam a maior parte ou todos os seus trabalhos escolares com chatbots. Esta percentagem desce para 7% nas famílias com um rendimento superior a 75 000 dólares por ano.

Por género, rapazes e raparigas recorrem aos chatbots em proporções semelhantes. No entanto, os rapazes são mais otimistas quanto ao impacto futuro da inteligência artificial: 41% acreditam que terá um efeito positivo, contra 30% das raparigas.

Os pais com rendimentos mais elevados conversam mais com os filhos sobre tecnologia, mas aqueles com rendimentos mais baixos mostram maior tolerância em relação ao uso de chatbots para fins pessoais ou emocionais. Além disso, os pais de cor estão mais abertos à utilização destas ferramentas pelos seus filhos, tanto para obter informações como para procurar conselhos emocionais.

Enquanto a integração dos chatbots avança mais rapidamente do que a adaptação das famílias e das escolas, a dependência destes sistemas pode alterar a forma como os jovens aprendem e interagem, alerta o estudo do Pew Research Center.

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