Estamos habituados a ouvir falar das «cidades brancas», com fachadas revestidas de cal que refletem a luz do sol e criam paisagens que parecem saídas de um sonho. Muito mais raras, mas de uma beleza ainda mais singular, são as cidades onde o azul é o verdadeiro protagonista. Não o azul do mar ou do oceano, que serve de pano de fundo a muitas cidades costeiras, mas o azul que reveste e decora grande parte das fachadas.
Cidades azuis no mundo
As chamadas «cidades azuis» são um verdadeiro deleite para os olhos. Alguns exemplos espalhados pelo mundo são:
- Jodhpur, antiga cidade no noroeste da Índia, conhecida pelo característico tom azul do seu centro histórico
- Samarcanda, no Uzbequistão, onde muitos monumentos são revestidos por mosaicos em tons de azul-esverdeado
- Chefchaouen, no norte de Marrocos, considerada por muitos a mais bela cidade azul do mundo
É precisamente esta última, Chefchaouen, que se tornou o grande símbolo das cidades azuis.
A «pérola azul» de Marrocos
Chefchaouen foi fundada em meados do século XV como fortaleza para se proteger das invasões portuguesas. O seu nome tem origem nas línguas árabe e amazigh e pode ser traduzido como «olha para os chifres», em referência aos dois picos montanhosos que dominam a região.
Pouco depois da sua fundação, a cidade transformou-se num refúgio para muçulmanos e judeus em fuga da antiga al-Andalus durante o período da Reconquista. Por esta razão, a parte antiga de Chefchaouen lembra muito as aldeias andaluzas, com ruelas estreitas, casas baixas e pátios interiores.
Entre a medina e a Reserva da Biosfera
Conhecida hoje como “a pérola azul” de Marrocos, Chefchaouen situa-se nos limites do Parque Nacional de Talassemtane, um impressionante enclave natural que faz parte da Reserva Intercontinental da Biosfera do Mediterrâneo. Em 2020, a cidade passou também a integrar a Rede Global de Cidades de Aprendizagem da UNESCO.
Passeio pela medina: azul, gatos e muita vida
Uma atividade imperdível em Chefchaouen é passear pela medina, com as casas pintadas em diferentes tons de azul e os inúmeros gatos que vivem nas ruas e nas escadarias. Muitos visitantes saem de lá com vontade de levar um para casa.
O coração do centro histórico é a praça Uta al-Hammam, sempre animada e rodeada por edifícios históricos como o Alcázar e a Grande Mesquita. No interior da medina destaca-se também a praça El Houta, dominada por uma bela fonte e situada muito perto da imponente mesquita branca de Bab al Souk.
Avenida Hassan II e o artesanato local
Arteria principal da cidade, a Avenida Hassan II é um dos eixos comerciais mais importantes de Chefchaouen. Ao longo desta rua multiplicam-se lojas de artesanato de todos os tipos, onde é possível comprar tapetes, cerâmicas, sabonetes, especiarias e pigmentos de todas as cores.
Porta Azul e a Mesquita Espanhola
Nos arredores da cidade existem dois pontos curiosos, mas muito simbólicos para Chefchaouen. Um deles é a porta de entrada, um pequeno trecho de muro azul e branco com uma porta de um azul índigo intenso, que se tornou um dos locais mais fotografados pelos visitantes.
O outro é a chamada Mesquita Espanhola, ou Mesquita dos Andaluzes, situada no topo de uma colina. De lá, desfruta-se de uma vista panorâmica privilegiada sobre a cidade azul, particularmente bela ao pôr-do-sol, quando as fachadas assumem diferentes tonalidades de cor.
Sabores marroquinos com influências mediterrânicas
A gastronomia marroquina, considerada uma das melhores do mundo e com fortes influências mediterrânicas, é outra grande atração de Chefchaouen. Pratos tradicionais como o tagine ou o mechoui, e doces como a chebakia, podem ser saboreados tanto nos mercados de rua como nos inúmeros restaurantes espalhados pela cidade.
O ambiente é geralmente muito hospitaleiro e acolhedor, combinando sabores intensos, aromas de especiarias e a atmosfera tranquila das ruelas azuis repletas de gatos preguiçosos ao sol.


