Compras de dólares a um ritmo sustentado.
Num contexto de estabilidade no mercado cambial, o Banco Central da República Argentina (BCRA) manteve uma posição de compra por 48 sessões consecutivas, reforçando a compra diária de moeda estrangeira. Na passada sexta-feira, comprou 45 milhões de dólares, elevando o total acumulado desde o início do ano para quase 3,3 mil milhões de dólares.
Com a implementação da quarta fase do programa monetário em janeiro, a autoridade monetária atingiu compras no valor de 3,298 mil milhões de dólares, cifra que representa mais de 32% da meta prevista para todo o ano de 2026. Só em fevereiro, as compras atingiram 1,555 mil milhões de dólares.
Para realizar estas operações, o BCRA injeta pesos na economia sem recorrer a mecanismos de esterilização, enquanto o Tesouro absorve parte desta liquidez através de emissões de dívida no mercado interno. Nos últimos leilões, o Ministério da Economia optou por não expandir a base monetária, procurando limitar possíveis pressões sobre os preços e a taxa de câmbio.
Metas de reservas e condições
De acordo com as projeções oficiais, a meta de acumulação líquida de reservas para 2026 situa-se entre 10 e 17 mil milhões de dólares, dependendo tanto da procura de pesos como do fluxo de moeda estrangeira. O presidente do BCRA, Santiago Bausili, salientou que o ritmo das compras será condicionado pela procura de moeda local e pelo afluxo de dólares. Até ao momento, o ritmo anual de acumulação ultrapassa 32% da meta estabelecida.
O BCRA fixou um limite diário para as suas compras de moeda estrangeira, equivalente a 5% do volume negociado no Mercado Livre de Câmbio, e celebrou acordos diretos com empresas e instituições para canalizar parte das transações fora do segmento grossista, com o objetivo de reduzir a pressão sobre o dólar.
Queda das reservas internacionais
As reservas internacionais caíram para 45,659 mil milhões de dólares, com uma queda de 109 milhões de dólares em relação ao dia anterior e de 345 milhões de dólares na semana. No mercado, esta queda foi atribuída às variações nos preços das moedas e das matérias-primas, como o ouro, que compõem as reservas do Banco Central.
No final do mês passado, as reservas em moeda estrangeira ascendiam a 46,905 mil milhões de dólares, o nível mais alto desde o início da atual administração e o mais alto dos últimos seis anos, quando as reservas atingiram os 47,448 mil milhões de dólares. Os pagamentos da dívida e as variações na avaliação dos ativos provocam oscilações neste saldo.
O ritmo de acumulação foi limitado pelo impacto dos compromissos de dívida do Tesouro, que recorreu ao BCRA para adquirir moeda estrangeira destinada a liquidar os vencimentos, influenciando o resultado final e impedindo uma formação de reservas ainda maior.
Origem dos dólares que entram no país
O fluxo de moeda estrangeira que permitiu este processo derivou, em grande parte, da liquidação do setor agroexportador e das emissões de dívida por parte de empresas privadas e governos provinciais. A partir das eleições legislativas de outubro de 2025, as emissões de obrigações negociáveis e de títulos provinciais atingiram os 11 mil milhões de dólares.
O dólar encerra a semana em baixa
Com um volume negociado de 447 milhões de dólares no Mercado Livre de Câmbio (MLC) — onde operam exportadores, importadores e o Banco Central —, o dólar no segmento de câmbio a granel encerrou a semana a 1.400 pesos. Este valor representa uma subida de 5,5 pesos em relação ao fecho de quinta-feira.
No entanto, no balanço semanal, a moeda no mercado grossista perdeu 16 pesos, após ter acumulado uma subida de 19 pesos na semana anterior.
Bandas de oscilação e margem de intervenção
No sistema de bandas de oscilação, o BCRA fixou o limite máximo em 1.627,97 pesos. A cotação atual no mercado grossista está 16,28% abaixo desse teto, o que deixa uma margem de aumento de 227,97 pesos antes que o Banco Central seja obrigado a intervir para manter o preço dentro dos limites estabelecidos.


